VII
Se as flôres do balsedo
Podessem ver meu peito alanceado,
Como allivio ao meu aspero degredo,
Mandar-me-hiam, das moitas do balsedo,
De seus prantos o balsamo sagrado.
Se os rouxinoes da floresta
Soubessem quanta dôr me rasga o seio,
Para espancar a minha noite mésta,
Mandar-me-hiam, das sombras da floresta,
O seu mais terno e encantadôr gorgeio.
Se as estrellas do espaço
Soubessem tudo quanto soffro em vida,
Para embalar d'esta alma o vil cançaço,
Mandar-me-hiam, dos concavos do espaço,
Uma doce palavra condoída.
E essa que sabe tudo,
O inferno e o horror da minha mocidade,
É a dona das tranças de veludo,
E das unhas rosadas... sabe tudo
E apunhála-me a vida sem piedade!