XIII
Quando morreres, filha, ao teu jazigo
Descerei taciturno e allucinado,
E abraçando esse corpo delicado,
No frio marmor dormirei comtigo.
E tu muda, e tu fria, e tu gelada!
E eu nos meus braços a apertar-te ainda!
E nas sombras daquella noite infinda
Clamo, estremeço e morro, alma adorada!
Os mortos, alta noute, pouco e pouco
Erguer-se-hão, ao luar, rindo e dançando;
E eu ficarei na sombra, ó sonho louco!
No teu seio de jaspe repoisando.
E quando a hora chegue em que as trombêtas
Do Juizo Final se ouvirem todas,
Não surgirás, inveja das violetas,
Do escuro leito das eternas bôdas!