Scena VI.

D. Pedro, e D. Sancho.

Ped. Inda mais horroroso do que pensas Certamente será, se não desistes De tão crueis designios. Que impiedade! O supplicio d'Ignez! Da minha Esposa!.. Como posso deixar de rebellar-me! Como evitar hum crime necessario, Que o dever, e a ternura me prescrevem?.. Hum crime disse?.. Ah, não; longe os remorsos; Defender huma Esposa não he crime; Crime fôra deixa-la ao desamparo. Longe, maximas vãs, leis oppressivas, Que a tyrrania impoz sobre a ignorancia, Nada se deve aos Pais pela existencia: Os desvelos depois, seus beneficios São os titulos só que lhes conferem Á nossa obediencia hum jus sagrado. Meu coração revoca os seus direitos: Arrependo-me só de arrepender-me Pelos ter justamente sustentado. Querias, Rei cruel, afferrolhar-me Em segura prisão, para a teu salvo Me poderes roubar a cara Esposa?.. Debalde o projectaste, não...

Sanc. ...................... Deliras?.. Que intentos são os teus?.. Resistir queres Ás ordens de teu Pai, que enfurecido...