Terrenos ao sul do Mussapa

Pouco me resta a dizer a respeito de terrenos, que nos interessem directamente, pois devemos considerar os territórios ao sul de Mussapa,{20} como pertencendo ao rei de Gasa; isto até que em epochas futuras todas as terras dos landins venham a passar ao dominio directo da nação.

Atravessei, como disse, o Mussapa na sua confluencia com o Mufomose; depois de uma hora de caminho em planicie, e suppondo que estava sempre no valle do Mufomose achei-me nas margens do Lusite, e passado este rio, continuei, sempre em paiz plano, até á base da serra Citatonga contra a qual me levaram, e sobre a qual tive que passar; á esquerda do meu caminho a planicie continua até á costa; á direita as montanhas elevadissimas de onde nascem o Mussapa, o Mufomose, o Lusite, o Busi, e outros affluentes d'estes rios, montanhas que separam o systema hydrographico do rio Busi do da bacia do rio Save. Este ultimo rio vem muito mais do norte, tendo as suas origens proximo da divisoria das aguas para o Zambeze, e origem do affluente do rio Aruenha, affluente do Zambeze em Masangano; corre do norte ao sul recebendo do lado do oeste as aguas de affluentes que vem das terras do Muzilicatze, do lado de leste as que nascem nas vertentes de oeste das serras de que acabo de fallar, e é junto á margem de um d'estes affluentes que está a aringa do rei Mutaça; depois, em maior latitude, volta rapidamente para leste para desaguar no oceano Indico por muitos braços formando um extenso delta a que Chiloane pertence. Os rios Busi o Save junto á costa correm portanto quasi como parallelos entre si. A villa de Sofalla fica approximadamente a meia distancia entre a foz dos dois rios.

Como se vê no esboço junto e como eu vi do alto da serra Citatonga, o rio Busi, depois de passada esta serra, corre para o norte a ir receber não muito longe, e em terreno perfeitamente plano, as aguas do Lusite; o que prova que desviando um pouco o itinerario para leste, poderia ter contornado a serra Citatonga em logar de ter passado duas vezes pela sua cumiada, o que, principalmente pela garganta por que passei na volta, é bastante custoso.

Passada a serra Citatonga, o caminho segue em terreno plano, apenas com ligeiras ondulações em alguns pontos, ficando proximo, á direita, as montanhas onde nascem o Busi e um importante affluente d'este rio, pela agua que leva, por entre rocha, o rio Muzirisi, junto á margem esquerda do qual, na pequena povoação de Cuzova, terras do grande Mugomugomo, terminou a minha viagem. Proximo da margem direita d'este rio, um pouco a montante do logar onde eu estava, e a umas cinco ou seis horas de caminho, é que está a povoação do Gunguneana.

Do valle do Muzirisi, diz o explorador inglez Mr. Erskine o seguinte: «O valle do Muzirizi (que elle chama Umswelisi) está destinado a ser um dia uma das mais productivas regiões d'este lado do continente. Assucar e café dar-se-íam ahi admiravelmente; e por causa da sua elevação supponho que será perfeitamente sadio».

Mais longe diz: «A agua transparente d'este rio é abundante e seria sufficiente para irrigar este extenso e fertil valle, e ainda para mover moinhos, para o que a sua rapida quéda o torna muito proprio».

Do Aruangua, do Revue e de todos os menores rios, affluentes d'estes, se póde em geral dizer outro tanto.{21}

A parte das terras do valle do Muzirisi que não está cultivada com milho, mapira, feijão, etc., é destinada á pastagem das numerosas cabeças de gado que o Muzila tinha, e o Gunguneana conserva e trata de augmentar, e que se acham divididas por manadas entregues aos chefes das differentes povoações. A manada na povoação de Cuzova tinha a especialidade de ser exclusivamente composta de gado muito novo, ou vitellos que iam sendo separados das mães nas manadas vizinhas.