BOCAGE
Menos isso.—O cadete ficou onde ficou a farda. Aqui está só o poeta.
1.^o POETA (ao 2.^o)
Condemnado como reu de lesa Arcadia. O Bocage tem razão. Será cadete no regimento; entre os pastores do Pindo é Elmano, o esperançoso Elmano, como tu és Alcino, como eu sou Lereno. A propósito, falta-nos Albano.
(Bocage parece cair em profunda meditação.)
2.^o POETA
Foi jantar a casa d'algum fidalgo. É o seu costume. Mas vem de certo.
Disse-me que vinha.—Agora nego que fosse reu de lesa Arcadia tratando
Elmano pelo grau militar.
1.^o POETA
Como provas essa?
2.^o POETA
Muito facilmente. Qual é n'este caso o distinctivo do vale e do soldado? Uma estrella. O mesmo em ambos. Cada qual tem a sua. Logo… (declamando)
O Appollo, e o Marte que zellas,
Não se afastam grande espaço:
Tem um a estrella no braço,
Outro o braço nas estrellas!
1.^o POETA
Fóra o seiscentisto. Sempre te achei queda para os conceitos alambicados e antitheses retorcidas! Essa vem na Phenix renascida, ou nos Desmaios de Maio, aposto!—Bocage… (reparando e tomando-lhe o braço.) Bocage!… Em que pensas?… Que fizeste á picante jovialidade tão bem estreada, e que tanto promettia para esta noite?
BOCAGE (como despertando)
Que?… Eu?… (comprehendendo.) Ah!… Jovialidade lhe chamas? Não era, não. Era raiva, era furia, era…
1.^o POETA
Contra uns pobres rapazes! Deixa versejar a vadiagem. Cançará depressa.
Não vale a indignação.