BOCAGE
Isso dizem todos, e d'isso sobra forças á mediocridade e a vilania, que são gemeas. Uns pobres rapazes! Hoje nescias vaidades apenas… ámanhã calumniadores invejosos!… Deixae-os medrar, deixae; e queixae-vos depois dos damnos que vos fizerem! E ha peiores ainda… Peiores e mais nocivos são os desalmados, que nem adivinham a alma, e d'esse aleijão moral fazem a bitola de todos os caracteres!… Que me hão de apparecer por toda a parte vilezas!… Não reparem, amigos… São restos da cólera em que me deixou esse homem, que até na morte vê o interesse sem lhe ver as lagrimas!… Quando estas ignominias me surgem diante, sou como aquelle tyranno antigo, que desejava um só corpo á humanidade, para a degollar d'um golpe!… Quizera tel-as tambem todas congregadas e encorporadas debaixo da mão, para lhes arrancar a mascara hypocrita, para as retalhar com o látego justiceiro, para apresental-as como são, hediondas e infames, perante a sociedade que illudem ou pervertem.—Desculpem a rajada. Vamos ao que importa. (olhando para as janellas do mercador, ainda desertas) Ficamos aqui?
1.^o POETA
Alcino tem uma Anarda alli n'um segundo andar do quarteirão immediato, e ella provavelmente traz-lhe mote preparado. Queres vir?
BOCAGE (com os olhos nas janellas)
Com tanto que voltemos depressa!
2.^o POETA
Percebo. Temos tambem por cá pastora! Uma Armia, uma Isbella, uma
Anfrisa?