BOCAGE

Começo outra vida, rude vida de ancias e trabalhos, mas vida explendida de alvoroços e promessas. (inebriando-se das proprias palavras) Oh! quem me déra já nas solidões do oceano, entre os dois abysmos, para não ver mais do que o eterno lampadario dos astros, para não ouvir mais do que o magestoso hymno das vagas!… (como vendo o que repete) Ondeante á pôpa a bandeira que recorda as margens distantes… a melancolia da saudade!… Diante de mim os horisontes infinitos… a incerteza do futuro!… Aos meus pés a voragem tumultuosa… a advertencia dos desenganos!… E além… lá bem ao longe, a nossa India… a India que démos de presente ao mundo!… o recesso dos mysterios… a terra dos prodigios… crivada dos nossos padrões, povoada das nossas memorias, cheia ainda do nosso passado, repetindo de todos os angulos a maravilhosa historia que os povos decoraram em todas as linguas!… além as grandes recordações dos grandes feitos… os grandes éccos dos grandes nomes… as grandes imagens das grandes edades!… além emfim a perenne e inflammada visão, que acima da escuridão dos tempos e do luto das catastrophes, como um pharol no meio das trevas, ergue rutilante do berço do sol a gloria da patria!

D. MARIA JOANNA (fervorosamente)

Tem a India inspirado os nossos grandes poetas! Começou já a inspiral-o!

MARQUEZ (erguendo-se e dando-lhe o decreto)

Aqui tem sr. guarda marinha. (a D. Felicia) Está tudo justo, não? As escripturas do casamento assignam-se em Belem d'hoje a oito dias!