MORGADO
Quarenta agora!…Trinta!…Tinha dito trinta!…
COMMENDADOR (abrindo a caixa)
Tinha? Enganei-me. Quem se não engana? Lucio Floro, da nobre familia dos Anneanos, conta que um engano decidiu uma batalha, e Seneca chama-lhe allucinatio para mostrar a perturbação mental que o determina (voltando-se mesmo sentado, inclinando-se sobre a esquerda, como para evitar que a pitada que vae sorver lhe macule a tira.) Foram quarenta, nem menos um real… E se hesita…
MORGADO (acudindo)
Não hesito… Assigno-lhe a escriptura.
D. MARIA JOANNA (que se adiantára sem que os dois, absorvidos na conversação a presentissem, apresentando-se entre ambos com jovial placidez)
E eu sirvo de testemunha!
COMMENDADOR (erguendo-se sobresaltado)
A sr.^a D. Maria Joanna Galvão aqui!
D. MARIA JOANNA (com o mesmo modo prazenteiro)
Porquê? Não sou interessada?
MORGADO (enleiado)
A prima, naturalmente, não sabe ainda…
D. MARIA JOANNA (atalhando como transfigurada, com grave altivez o severa dignidade)
Sei… Sei que o sr. morgado da Gésteira me entrega immediatamente esse papel… e o sr. commendador esse tambem!