*SONETO.*

Quando meu coração de Amor vivia,
Ufana a liberdade em ver-se escrava,
E quando para mim se variava
O Ceo n'um riso, o Ceu n'um ai de Ulmia!

Das escuras Irmans a mais sombria,
E que mais com seu pêzo o Mundo aggrava,
Na vista divinal, que me encantava,
Roubou luz á minha alma, e luz ao dia.

Não mais, Dor, Fado meu, Dor, meu costume,
Cedo a paz gozarei, que o peito anhéla,
Nos olhos do meu Bem, do Ceo já lume;

Junto á Nynfa immortal, na Estancia bella,
Os dias perennaes, que vive hum Nume,
Irei (Nume em ser seu) viver com Ella.

Bocage.

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