IV
Vão partir: vão deixar com passos lentos
O encantado logar que presenceára
O seu transporte em delirante crime.
Vão partir: e apesar dos mil protestos,
Da esperança que em breve hão de juntar-se,
Dor profunda no peito lhes comprime
Agora o coração, como se fosse
Aquella a derradeira despedida.
Parisina, cravando os olhos languidos
No firmamento azul, treme, sentindo
Que aquelle ceo não pode perdoar-lhe.
Elle outra vez a cinge contra o peito;
Um suspiro, um adeus, inda outro beijo,
É forçoso partir, levando n'alma
Os amargos, crueis presentimentos,
Que de perto acompanham sempre o crime.