LYRA XXVII.
A minha amada
He mais formosa
Que branco lyrio,
Dobrada rosa,
Que o cinnamomo,
Quando matiza
Co' a folha a flor.
Venus não chega
Ao meu Amor.
Vasta campina
De trigo chêa,
Quando na sésta
C'o vento ondêa,
Ao seu cabello
Quando flutua
Não he igual.
Tem a côr negra:
Mas quanto val!
Os astros, que andão
Na esfera pura,
Quando scintilão
Na noite escura,
Não são humanos,
Tão lindos, como
Seus olhos são.
Que ao Sol excedem
Na luz que dão.
Ás brancas faces,
Ah! não se atreve
Jasmis de Italia,
Nem inda a neve,
Quando a desata
O Sol brilhante
Com seu calôr.
São neve, e causão
No peito ardôr.
Na breve boca
Vejo enlaçadas
As finas per'las
Com as granadas;
A par dos beiços
Rubins da India
Tem preço vil.
Nelles se agarrão
Amores mil.
Se não lhe désse
Compadecido
Tanto soccorro
O Deos Cupido;
Se não vivêra
Huma esperança
No peito seu;
Já morto estava
O bom Dirceo.
Vê quanto póde
Teu bello rosto;
E de goza-lo
O vivo gosto!
Que sobmergido
Em hum tormento
Quasi infernal,
Porqu' inda espero
Resisto ao mal.