A VIDA
A CRIANÇA:
Ao longe! ao longe! quem ir lá me déra
Colher virente louro, ou linda flor,
N'esse jardim d'eterna primavera,
Todo cheio de luz e esplendor.
O HOMEM:
Tem o louro, veneno em suas bagas...
Tem espinhos as rosas mais gentis...
Avante! talvez possa minhas chagas
Curar na solidão, viver feliz.
O VELHO:
Quem é d'esses jardins que vi formosos,
Cobertos de perfume e de verdor?...
Nos espinhos até sentia gozos,
Agora de não vel-os sinto a dor.
A ESPERANÇA:
Caminha, louca, alem; caminha ávante!
O que julgas o nada é tenue véo:
Depois d'elle corrido, tens adiante
Bem mais lindo jardim, bem mais, o céo.
1853
A. C. Louzada, Grinalda, t. VI, p. 43.