AS CRIANÇAS

Deixae-as vir a mim!—o Christo assim dizia,

Das crianças beijando as frontes radiosas.—

Pertence á candidez dos lirios e das rosas

O reino de meu pae, eterno de alegria!

Deixae-as vir a mim!—o Christo assim dizia.

Deixae-as vir a mim com toda a liberdade,

As crianças adoro humildes ou zangadas;

As innoxias, tambem, estridulas risadas,

Não ha n'essa expansão os sulcos da maldade:

Deixae-as vir a mim com toda a liberdade.

Deixae-as vir a mim; eu amo as criancinhas,

Nos folguedos gazís, no lar silenciosas;

E quando eu as contemplo insontes, descuidosas,

Estudo-lhe da face as curvas e covinhas.

Deixae-as vir a mim; eu amo as criancinhas.

Deixae-as vir a mim; são luzes do porvir,

Almas cheias de amor e aureas esperanças;

Nos olhos divinaes de todas as crianças

Ha mundos de candura e crenças a florir.

Deixae-as vir a mim são luzes do provir.

Octaviano Hudson, Peregrinas, p. 7. Rio de Janeiro, 1874.