O MESMO

Desde a quadra a mais antiga

De que rezam pergaminhos,

Cantam a mesma cantiga

Na floresta os passarinhos;

Tem o mesmo aroma as flores,

Mesma verdura as campinas,

A briza os mesmos rumores,

Mesma leveza as neblinas;

Tem o sol as mesmas luzes,

Tem o mar as mesmas vagas,

O dezerto as mesmas urzes,

A mesma dureza as fragas;

Os mesmos tolos o mundo,

A mulher o mesmo riso,

O sepulchro o mesmo fundo,

Os homens o mesmo siso;

E n'este insipido giro,

N'este vôo sempre a esmo,

Vale a pena, em seu retiro,

Cantar o poeta, mesmo?

Fagundes Varella, Ibid., p. 151.