III.
ACTO DE AGRADECIMENTO.
Meu Deus, e Senhor, eu vos dou graças da mercê, que me haveis feito esta manhã, de virdes habitar na minha alma, mas quizera dar-vos um agradecimento digno de vós e do grande favor, que me tendes feito. Porem que agradecimento póde dar-vos uma creatura tão miseravel, como eu sou? Se o mancebo Tobias não achava em si possibilidade para agradecer dignamente ao Anjo S. Rafael os beneficios temporaes, que lhe tinha feito, como vos poderei eu, Senhor, agradecer, não os beneficios temporaes, mas o do vosso Corpo, e Sangue Sacramentado, que agora me déstes em alimento?
Ah, Senhor! Acceitai ao menos os ferverosos desejos, que tenho de vos ser agradecido. E vós, Mãe, e Senhora, Maria Santissima, Santos meus advogados, Anjo da minha guarda, almas, que viveis abrazadas no amor de Deus, vinde ver, e admirar o excessivo favor, que o Senhor agora me fez; e dai-lhe por mim as graças.
Mil graças vos dou, Senhor,
E vos rendo adorações
Por tão pasmosas finezas,
Por tantas consolações.
A vossa Mão liberal
Dei-me, meu Deus, a beijar;
Mas que arrojo!... aos vossos pés
Eu só me devo lançar.
A face, Senhor, por terra
Eu ponho com humildade,
Só assim devo adorar
A soberana Divindade.
Ao vosso Nome Bemdito,
Por tão distinctos favores,
Eu mando já, meu Jesus,
Agradecidos clamores.
Eu vos prometto, eu vos juro
De nunca mais vos deixar,
E que os meus ternos desvelos
Só em vós hei de empregar.
Embora prepare o mundo
Para me prender novos laços,
A todos, Senhor, a todos
Quero fazer em padaços.