IV.

ACTO DE OFFERECIMENTO.

Ah! Senhor, já que vós vos dignastes de visitardes hoje a pobre casa de minha alma, eu vola offereço com toda a minha liberdade, e vontade. Vós vos tendes dado todo a mim, e eu me quero dar todo a vós; sim, sejão vossos os meus sentidos, para que me sirvão só para vos agradar: sejão vossas as minhas potencias, de tal sorte que a memoria me não sirva mais que para lembrar-me de vosso amor: o entendimento só me sirva para cuidar de vós, e a vontade só se empregue em vos amar. Tambem vos consagro, e sacrifico, meu dulcissimo Salvador, esta manhã tudo quanto tenho; os meus pensamentos, os meus affectos, os meus desejos, os meus gostos, as minhas inclinações, a minha liberdade; em fim nas vossas mãos entrego o meu corpo, e a minha alma.

Acceitai, ó Magestade infinita, o sacrificio, que vos faz de si mesmo o peccador mais ingrato, que tem havido sobre a terra, mas que agora se offerece, e entrega todo a vós. Fazei, Senhor, de mim tudo quanto vos agradar. Vinde, ó fogo consumidor, ó amor Divino, e destruí em mim tudo que não agrada aos vossos purissimos olhos: fazer que de hoje em diante eu seja todo vosso, e viva sómente para seguir, e obedecer, não só aos vossos preceitos, e conselhos, mas ainda aos vossos santos desejos, e ao vosso maior gosto.

Ó Maria Santissima, apresentai com as vossas purissimas mãos á SS. Trindade esta minha offerta, e alcançai-me que a acceite, e me communique a graça de ser-lhe fiel até á morte.