[358] Obras de Claudio Manoel da Costa, &c. Coimbra 1768, in 8vo. The preface in which this amiable author unaffectedly communicates some notices respecting himself, is a very instructive contribution to the history of Portuguese poetry.
[359] The following may serve as a specimen of the modern style of the Portuguese sonnet:—
Onde estou? Este sitio desconhêço:
Quem fez taõ differente aquelle prado!
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplallo timido esmoreço.
Huma fonte aqui houve; eu naõ me esqueço
De estar a ella hum dia reclinado
Alli em valle hum monte esta mudado.
Quanto póde dos annos o progresso!
Arvores aqui vi taõ florescentes,
Que faziaõ perpetua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a regiaõ esta naõ era.
Mas que venho a estranhar, se estaõ prezentes
Meus males, com que tudo degenera.
[360] For example:—
Nize? Nize? onde estás? Aonde espera
Achar-te huma alma, que por ti suspira:
Se quanto a vista se dilata, e gira,
Tanto mais de encontrar-te dezespera!
Ah se ao menos teu nome ouvir pudéra
Entre esta aura suave, que respira!
Nize, cuido, que diz; mas he mentira.
Nize, cuidei que ouvia; e tal naõ era.
Grutas, troncos, penhascos da espessura,
Se o meu bem, se a minha alma em vós se esconde,
Mostray, mostray-me a sua formozura.
Nem ao menos o ecco me responde!
Ah como he certa a minha desventura!
Nize? Nize? onde estás? aonde? aonde?
[361] One of Da Costa’s epicedios on the death of a friend commences thus:—
Commigo fallas; eu te escuto; eu vejo,
Quanto a pezar de meu lethargo, e pejo,
Me intentas persuadir, ò sombra muda,
Que tudo ignora, quem te naõ estuda.
Há poucas horas, que hum activo alento
Te dirigia o ardente movimento;
E em breve instante (oh dor!) em breve instante
Se torna em luto o resplendor brilhante.
Arrebatado em vaõ te solicito
Por qualquer parte, que se estenda o grito:
E aos eccos, ao clamor, que aos troncos passa,
(Funestissimo avizo da desgraça)
Apenas falla, apenas me responde
O dezengano, que esta penha esconde; &c.
[362] Tornou innocentes os genios; restituio ao mundo a justiça, says Da Costa, in allusion to the dreaded Pombal; for this minister’s rigid system of judicial reform rendered him at first an object of terror.
[363] For example, the poet says to his lyre, which he proposes to abandon:—
Amei-te (eu o confesso)
E fosse noite, ou dia,
Já mais tua harmonia
Me viste abandonar.
Qualquer penozo excesso,
Que atormentasse esta alma;
A teu obzequio em calma
Eu pude serenar.
Ah! Quantas vezes, quantas
Do somno despertando,
Doce instrumento brando,
Te pude temperar!
Só tu (disse) me encantas;
Tu só, bello instrumento,
Tu es o meu alento
Tu o meu bem serás.
Vê, de meu fogo ardente,
Qual he o activo imperio:
Que em todo emisferio
Se attende respirar.
O coraçaõ que sente
Aquelle incendio antigo,
No mesmo mal, que sigo,
Todo o favor me dá.