Era a festa Real, que ao bellicozo
Macedonio, da Persia glorioso
Vencedor acclamava.
Excelso o Eroe brilhava
No solio majestozo.
Valentes Pares seus o rodeavaõ
Que de rosas e murta a frente ornavaõ
(Como ao valor compete se croavaõ.)
Thais mostrava ao regio lado airoza,
Qual outra oriental florente esposa,
Juventude e beldade radioza.
Feliz, feliz donzella!
Ninguem, se naõ o Eroe,
Ninguem, se naõ o Eroe,
Ninguem, se naõ o Eroe merece a bella.
[399] Advertencias preliminares ao poema heroico da Henriqueida. See page [340].
[400] O tenho (sc. o poema epico de Virgilio) pela obra humana, em que se achem menos imperfecções.
[401] These critical Dissertações form an appendix to the Obras poeticas of Garçaõ, already noticed.
[402] For example, in the following passage, in which Garçaõ justifies himself to the members of the Arcadian academy against the charge of arrogance:—
Naõ creio, ó Arcades, que em vossos corações se pervertesse a antiga sinceridade de costumes com taõ violenta metamorfose, que para reconciliar-me comvosco me seja preciso cantar a Palinodia. Vós estais offendidos? Eu ultrajei-vos? Havera entre Nós algum espirito taõ escravo da vangloria, que naõ possa, nem se atreva a soffrer a verdade? Chamar-me heis atrevido, porque sou zeloso da honra, e do credito da Arcadia? Porque naõ sei lisonjear-vos com fantasticas esperanças; porque vos naõ attribuo, se possivel he, maior merecimento do que o vosso? Ou finalmente porque naõ me atrevo a divulgar com soberba jactancia, que restauràmos a boa Poesia, e a verdadeira Eloquencia? Que peleijámos, e que vencemos? Naõ, Arcades, naõ sou taõ ingrato, que vos julgue destituidos de piedade, e de benevolencia.
[403] This passage may likewise be transcribed, as a specimen of the Portuguese prose of the middle of the eighteenth century:—
Corre o tempo: ateia-se a epidemia; desprezaõ-se os bons Authores; naõ vale o exemplo da Antiguidade; apaga-se a memoria da Arte; e finalmente se transforma o genio da Naçaõ. Se no fim desta Epoca apparecesse huma Alma capaz de atalhar o damno, acha já com tantas forças o Inimigo, que ainda que adquira a honra de atacallo, raras vezes cólhe os louros do triunfo. Saõ taõ frequentes, e talvez taõ domesticos os exemplos, que naõ devo respeitallos. Prouvera Deos, ó Arcades, que ainda hoje em Portugal naõ avultassem mais as ruinas deste geral destroço, do que as miseraveis reliquias da restuida Lisboa. Só huma Academia, huma Sociedade de homens sabios, zelosos do bem, e da honra da sua Patria, he o Alexandre que póde cortar este Nó Gordiano, he o Achilles de que pende a expugnaçaõ de Troia.
[405] Sobre a Poesia bucolica dos Poetas Portugueses. Memoria I. The continuation does not appear to have been published.