Nimphas do claro Almonda, em cujo seo
Nasceo, e se eriou a alma divina,
Qu’ hun tempo andou dos Ceos ea peregrina,
Ja lá tornou mais rica, do que veo;
Maria, da virtude firme esteo,
Alma sancta, Real, de imperio dina
A baiyeza deixou, de qu’ era indina,
Ficou sem ella o Mundo escuro, e feo.
Nimphas, que tam pouco ha qu’ os bõs amores
Nossos cantastes cheas de alegria,
Chorai a vossa perda, e minha mágoa.
Naõ se cante entre vós jà, nem se ria,
Nem dè o monte herva, nem o prado flores,
Nem dessa fonte mais corra clara agoa.
[113] An imitation of the Odi profanum vulgus forms also the overture to Ferreira’s odes. His first ode commences thus:—
Fuja daqui o odioso
Profano vulgo! Eu canto
A brandas Musas, a huns spritos dados
Dos Ceos ao novo canto
Heroico; &c.
[114] In an ode A os principes D. Joaõ e a D. Joana, every stanza commences with the following pompous words:—
Vivey felices, pios, vencedores!
[115] As for instance in the following passage:—
Naõ teme, naõ espera,
Naõ pende da fortuna, ou vaõs cuidados
A consciencia pura
E assi naõ desespera
De chegar aos bons dias esperados
Tam léda, et tam segura,
Que o Mundo desprezando
Consigo se enriquece, e mais descansa
De si tam satisfeita,
Que em si se está prezando
De desprezar o porque o Mundo cansa.
De ver que ella a direita
Via seguindo vay
A virtude levandosó por guia.
Naõ torce, naõ duvida,
Já mais della se fay,
Por mais qu’ o Mundo della se desvia.
[116] See the History of Spanish Literature, p. [240].
[117] The following stanzas, which form the commencement of an ode to Spring, will afford an idea of Ferreira’s descriptive talent.
Eis nos torna a nascer o anno fermoso,
Zefiro brando, e doce Primavera.
Eis o campo cheiroso:
Eis cinge o verde Louro já a nova Hera.
Ja do ar caydo géra
O cristalino orvalho hervas, e flores.
As Graças, e os Amores
Coroados de alegria
Em doce companhia
De Nimphas, e Pastores ao som brando
Doces versos de Amor vaõ revezando.
Apôs a branda Deosa do terceiro
Ceo, que triumphando vay de Apollo, e Marte.
E entre elles o frexeiro
O seu doce fogo, onde quer, reparte.
Fogem de toda parte
Nuvens; a neve ao Sol té entaõ dura
Se converte em brandura,
E d’alta, o fria serra
Cayndo, rega a terra
Agoa já clara: a cujo som adormece
Toda féra serpente, é o Myrtho cresce.