Foy o cruel Pagaõ e monstruoso
(Segundo aquellos gentes fama daõ)
Grande, membrado, e como usso velloso,
E huma orelha de Asno, outra de caõ.
[129] See History of Spanish Literature, p. [296].
[130] The following are the two first stanzas:—
Quando Amor nasceo,
Nasceo ao Mundo vida,
Claros rayos ao Sol, luz ás estrellas.
O Ceo resplandeceo,
E de sua luz vencida
A escuridaõ mostrou as cousas bellas.
Aquella, que subida
Está na terceira esphéra,
Do bravo mar nascida
Amor ao Mundo dá, doce amor géra.
Por amor s’orna a terra
D’agoas, e de verdura,
As arvores dá folhas, cor ás flores.
Em doce paz a guerra,
A dureza em brandura.
E mil odios converte em mil amores.
Quantas vidas a dura
Morte desfaz, renova:
A fermosa pintura
Do Mundo, Amor a tem inteira, e nova.
[131] A passage from this scene may be transcribed here:—
Rey. Tristes foram teus fados, Dona Ines,
Triste ventura a tua.
Cast. Antes ditosa
Senhor, pois que me vejo antes teus olhos
Em tempo tam estreito: poem-nos hora,
Como nos outros soes, nesta coitada.
Enche-os de piedade com justiça.
Vens-me, Senhor, matar? porque me matas?
Rey. Teus peccados te matam: cuida nelles.
Cast. Peccados meus! ao menas contra ti
Nenhum, meu Rey, me accusa. Contra Deos
Me podem accusar muitos: mas elle ouve
As vozes d’alma triste, em que lhe pede
Piedade. O Deos justo, Deos benigno,
Que naõ mata, podendo com justiça,
Mas dá tempo de vida, e espera tempo
Só pero perdoar: assi o fazes,
Assi o fizeste sempre: pois naõ mudes
Agora contra mim teu bom costuma.
Act IV.