Cante de Amor os puntas penetrantes,
Que de huns divinos olhos despedidas,
Despois de dadas immortaes feridas
Sairam do meu peito triumfantes; &c.
[270] This singular declamation is as follows:—
Vos Satiros biformes que lavando
neste ribeiro estays o pè ligeiro,
deixay, deixay, o limpido ribeiro,
que em profano exercicio ides turbando.
Porque os aureos cabellos vem mostrando
sobre essa superficie o meu Luzeiro,
que là no fundo della he Sol primeiro,
a donde o mesmo Sol està cegando.
Deixayme sô na liquida corrente;
porque nam sairà do vitreo seyo,
se acompanhado aqui de alguem me sente.
Assi Menalio disse de Amor cheyo:
e o lavor do lavar a torpe Gente
nam deixou nunca, nem Albania veyo.
Dizerte a minha pena me recrea;
Porem na boca sinto huma amargura,
De que he somente conhecida cura
A tua numerosa e doce vea; &c.
[272] For example, the following reminiscential sonnet, which is disfigured only by the concluding phrase:—
Sempre que torno a ver o bello prado
onde primeira vez a soberana
divindade encontrey con forma humana,
ou humana esplendor deificado:
E me acordo do talhe delicado,
do riso donde ambrosia, e nectar mana,
da fala, que dà vida quando engana,
da branca maõ, e do cristal rosado:
Do meneo suave, que fazia
crer que de brando Zefiro tocada
a Primavera toda se movia;
De novo torno a ver a Alma abrasada;
e em desejar sômente aquelle dia
vejo a Gloria Real toda cifrada.
[273] For instance the following:—
Passáram ja por mim loucos verdores
do fresco Abril da humana vaidade;
Primavera tam fora da verdade,
que as flores sam engano, o fruto errores.
Passáram ja por mim inuteys flores,
o Veraõ passou jà da ardente idade:
prazer acomodado à mocidade;
veneno da razam em bellas cores.
Bem creo que estou dellas retirado;
mas nam sey se de assaltos vaõs, tiranos,
que tem o entendimento ao jugo atado.
Porque mal me asseguram meus enganos,
que o fruto destas flores he passado,
se os costumes nam fogem como os annos.
[274] They are contained in the first and fourth volumes of the Fuente de Aganippe, see page 279.