[282] The language of this sonnet will enable the reader to form a right idea of the merits of the author, who was, however, much admired in the age in which he lived!
Desdourem-se as areas do Pactolo,
Turvem-se as claras aguas do Canópo,
O bebado de Bacco entorne o copo,
Rache a guitarra o franchinote Apollo.
Desencache-se o Ceo de polo a polo,
A douda Venus morra, e o seu cachopo,
Em fim pereça tudo quanto topo,
Que a Lereno matou o villaõ de Eolo.
Por Jesu Christo se entre maõs tomara
Este villaõ ruim, o Rei do vento,
Com hum vergalho de boy o debreara.
Por S. Pedro do Ceo, que hum momento
A miseravel alma lhe mandara
C’um piparote ao reino do tormento.
[283] The Obras poeticas of Barbosa Bacellar were printed at Lisbon in the year 1716. The greater part consists of poems which are also dispersed through the Fenix renascida.
[284] For instance, the following to a nightingale in a cage; a favourite theme with the Portuguese sonneteers:—
Ave gentil cativa, que os accentos
Inda dobras com tanta suavidade,
Como quando gozavas liberdade,
Sendo do cãpo Amfiaõ, Orfeo dos ventos:
Da vida livre os doces pensamentos
Perdestes junto à clara suavidade
De hum ribeirinho, que com falsidade
Grilhões guardava a teus cõtentamentos.
Eu tambem desse modo fuy cativo,
Que amor me tinha os laços emboscados
Na luz de huns claros olhos excellentes.
Mas tu vives alegre, eu triste vivo,
Com que somos conformes nos estados,
E somos na ventura diferentes.
[285] The Portuguese Saudades must by no means be confounded with the Spanish Soledades in the style of Gongora. (See preceding vol. page [435]). In the Portuguese word Saudade are singularly blended the significations of Saùde (a salutation), and Soledad (the Spanish word for solitude). Hence also the untranslatable adjective Saudoso.
[286] In these Saudades Aonio thus discourses with flowers. He turns from one to another, and finds in each a peculiar sympathy with himself:—
Cada flor o detinha,
E a cada flor attento
Sequellas inferia ao seu tormento,
Huma rosa encarnada
Com melindres de bella.
Com presumpções de estrella
Fazia aqui galante
Ostentaçaõ de purpura brilhante:
Aonio commovido
Lhe disse eternecido:
Ay fermosa memoria,
Retrato de huma gloria,
Que possui taõ breve,
Nevoa ao Sol, fumo ao ar, ao vento neve,
Mal lograda fermosa,
Rosa defunta, quando a penas rosa.
Em huma mata verde
Hum jasmim odorifero nevava,
E derramando cheiro
Ao vento suavizava,
Quando Aonio passando,
As vezes a cabeça meneando,
Disse comsigo: Ah triste!
Quanto ha jà que me falta o brando alento
Daquella voz branda o doce acento,
Que alegre a meus ouvidos respirava,
Com que a vida animava,
Fazendo verdadeiras docemente
Mentiras do Oriente.
But these beautiful plays of fancy are protracted to a tedious length.