«Quatro pedras,
«Responde o chefe, a sepultura cobrem
«Do valoroso Cathba; e já na terra
«Dorme tambem o varonil Duchómar.
«Tu eras para Erin, eras, ó Cathba,
«Como um raio do sol! e tu, Duchómar,
«Como a nevoa do Lano que no outomno
«Rola sobre a planicie, e leva a morte
«A viventes sem conta! Ó Morna, ó bella
«Entre as mais bellas, socegado é o somno
«Que dormes junto á rocha! Eis-te cahida
«Entre as sombras da morte, como a estrella
«Que se esvae no deserto, e o caminhante
«Deixa saudoso de seu raio esquivo.»
«Ah! conta-nos, lhe diz de Semo o filho,
«Conta-nos, Fergus, como foram mortos
«Os guerreiros d'Erin. Cahiram ambos
«Em combate de heroes? Dize-nos, Fergus,
«Porque é que a terra nos esconde os fortes?»
«Cathba, lhe torna o chefe, cahiu morto
«Aos golpes de Duchómar; cahiu junto
«Do roble das torrentes. Exultando
«O fero vencedor foi ter com Morna
«Á caverna de Tura.--Amavel filha
«Do valente Cormac, elle lhe disse,
«Porque saudosa no fragoso serro,
«Na caverna da rocha venho achar-te?
«O ribeiro murmura; a arvore annosa
«Geme ao sôpro do vento; o lago é turvo;
«Negras as nuvens que no céo revôam!
«Mas tu és como a neve da planicie;
«Como o vapor do Cromla é teu cabello,
«Como o vapor do Cromla quando brilha
«Aos raios do poente! São teus peitos
«Como os lisos rochedos que se avistam
«De Branno dos ribeiros; são teus braços
«Como as alvas columnas espalhadas
«Pelas salas de Fíngal!--»
«--D'onde inquieta,
«Lhe diz a virgem de formosas tranças,
«D'onde vens, ó Duchómar, tu dos homens
«O mais torvo e sombrio? Carregado
«Trazes o rosto, e ensanguentada a vista.
«Descobriu-se o inimigo? Que noticias
«Trazes tu lá do mar?--»
«--É da montanha
«Que eu venho, elle responde; da montanha
«Dos escuros veados. Tres cahiram
«Traspassados por mim; tres foram mortos
«Por meus ageis lebreus. Um d'elles tinha
«Magestosa a cabeça, e os pés movia
«Ligeiros como o vento. Amo-te, ó bella!
«Para ti o matei: não m'o regeites!--
«--Ah! foge, homem sinistro! ella lhe torna.
«Carregado e terrivel tens o rosto,
«E duro o peito como rocha dura!
«Tu, ó filho de Tórman, tu, ó Cathba,
«És meu unico amor! és a meus olhos
«Como um raio de sol em tempestade!
«Oh! dize-me se o viste, o joven bello
«Na serra dos seus gamos, pois ha muito
«Que n'este sitio o espero!--»
«--E largo tempo
«O esperáras, ó Morna, elle responde!
«Olha esta espada nua: aqui o sangue
«De Cathba ainda escorre. Cahiu junto
«Da torrente de Branno: sobre o Cromla
«Lhe erguerei o sepulchro. Volta os olhos,
«Volta-os para Duchómar: é seu braço
«Forte como a tormenta.--»