Gertrudes.—O sr. Anacleto estará de combinação comigo e virá logo que o chamem, mostrando-se, é claro, um sabio em hypnotismo, depreciando o mais possivel o tal sr. Felisberto... E, feito o milagre... porque a menina acordará logo que o sr. Anacleto lhe ordene... o patrão ha de necessariamente consentir no seu casamento com aquelle que a menina ama... repellindo com indignação o tal hypnotisador das duzias!...

Elvira.—Oh! mas isso tudo é muito arriscado... E se meu pae descobre que o illudimos?

Gertrudes.—Qual descobre, respondo pelo bom resultado de tudo.

Elvira.—Vê lá, Gertrudes, em que te mettes?...

Gertrudes.—Descance que não ha de haver novidade. Vou lá abaixo á botica prevenir o sr. Anacleto e volto depressa, porque o sr. Felisberto não deve tardar, e é forçoso que eu falle com elle primeiro que o patrão, aliás vae-se tudo quanto Martha fiou!... Até já.. (Sae pelo F.)

[Scena III]

Elvira ().—É uma excellente rapariga esta Gertrudes, oxalá que o seu estratagema dê bons resultados, (sae D. B.)

[Scena IV]

Venceslau (só, entrando a ler o Diario de Noticias).—«E finalmente conseguiu fazer fallar uma menina que era muda de nascença.» (falla) É maravilhoso!... sublime!.. E não poder eu conseguir o mesmo... Tambem ainda não procedi a uma experiencia séria. Minha filha não se quer prestar, a creada diz que se vae embora se eu teimar em hypnotisal-a... e quem diabo hei de eu hypnotisar?... Ah! se fosse no tempo da minha defunta esposa, que Deus lá tenha por muitos annos e bons sem a minha companhia! Ah! se fosse n'esse tempo, hypnotisava-a a ella!

[Scena V]