[O MESMO E SIMPLICIO]
Simplicio (entrando a tocar trombone sem reparar em Venceslau).—Não consigo chegar ao sol!...
Venceslau.—Hein! que é isso? Pois tu vens para aqui tocar trombone?...
Simplicio. (cae de joelhos em frente de Venceslau, abraçado ao trombone).—Ah! patrão, perdoe, mas como não estava aqui ninguem...
Venceslau.—Então eu não sou ninguem, bruto?
Simplicio.—Bruto, sim senhor, patrão... é isso mesmo... é o que eu sou... eu devia tel-o visto e não o vi... Mas que quer, a musica... o trombone... tiram-me a vista dos olhos...
Venceslau.—Vou pôr-te no andar da rua, não posso aturar-te mais, já toda a visinhança se queixa do teu trombone ...
Simplicio.—Oh! meu rico patrão, meu patrão rico, não faça o que diz, eu juro por esta... (quer fazer uma cruz com as mãos e deixa cair o trombone?) Ai! O meu rico trombone... juro não tornar a tocar senão aos domingos quando forem dias santos...
Venceslau.—Então os domingos não são sempre dias santos, estupido?
Simplicio.—Para mim, não sr.; quando o patrão não me deixa sair são dias de semana...