—Ora essa! A grande coisa! Suba! Suba! Eu é que me devia de ter lembrado d'este offerecimento ha mais tempo.

Saltei para cima do carro, segurei-me com uma das mãos á sebe e o tio Luiz, tocando levemente com a extremidade da aguilhada no lombo das vacas,{29} exclamou, na palavra consagrada para pôr o gado bovino em andamento:

—Eixe!

O carro poz-se em movimento.

—Diga-me cá uma coisa, ó tio Luiz: de quem foi ou quem viveu nesta casa, que alli está em ruinas?

—Esta casa? Aqui foi onde viveu, em solteira, aquella brasileira, ou, por outra, a mulher do brasileiro que móra acolá em cima na Herdade.

—Ah! Bem sei! Por signal que até a vida d'essa mulher em solteira é muito interessante.

—Coitada! Foi infeliz e causou bastantes infelicidades. Mas arrependeu-se, e depois o que soffreu e fez soffrer foi bem descontado.

—Mas o que acho esquisito é eu ter aqui passado tantas vezes e nunca reparar para a casa senão hoje. E estou meio impressionado. Diabo! Estou capaz de escrever a historia da casa. Você que diz, ó tio Luiz?

-Ah! Ah! Ah! A historia da Maria Luiza, que morou nella! Faz muito bem, e olhe que é uma historia bem bôa, além de ser verdadeira, que é o principal!