Era a egreja com a sua torre.

Que velhinha! Que velhinha!...

Nas suas paredes, cobertas de lichens, ella está recordando com mágoa as innumeras intempéries que têm zurzido o seu dorso, e, extenuada, profundamente abatida, parece impetrar do céu a piedade que dos homens ingratos não tem conseguido obter...

O dia amanheceu triste e sombrio, ia eu a dizer.

Durante a noite tinham caido grandes e consecutivas bátegas de agua, e o ceu, como que cançado, apresentava um aspecto soturno.

Ao longe, para o oriente, a serra do Caramulo, na negrura das nuvens que sobre ella se encastellavam num espesso e elevado nimbo, parecia elevar-se muito alta.

Os eucalyptos da alameda contigua ao adro eram encrespados pelo soprar, em pequenas lufadas, do vento do sul, e por sobre a aldeia repercutiam-se, com maior intensidade para o norte, as ondulações sonoras que partiam do sino que chamava os fieis para a missa da manhã.

Á esquina do adro, o Facca, abrindo uma das{58} portas da loja, olhou sombrio para o ceu pardacento e resmungou:

—Hum!... Temos mais môlho!...

Uma mulher, encafuada num mantelête, conduzia uma pacifica vacca que puxava a uma carroça. Acampou no adro e, depois de ministrar á vacca uma ração de pasto, affastou uma das extremidades do tolde que cobria a carroça, deixando a descoberto uma parte da sua mercadoria, que consistia em hortaliças.