Ponto final sobre este assumpto. Não vá o meu livréco parar ao Index.

Terminando este prologo, nada mais tenho a fazer que impetrar mais uma vez do leitor benevolo a sua complacencia que, em vista das razões que expuz, não deixo de merecer com alguma justiça; e, confiado em que a minha petição não será infructifera, agradeço-a antecipadamente, e deixo aqui consignado tambem o meu agradecimento pelos preciosos momentos que o leitor haja de dispender na leitura d'este ensaio.

Aveiro, março de 1909.{19}

[SCENAS da ALDEIA]

[I]

Na margem direita do Vouga, a cerca de doze kilometros da sua foz, espreguiça-se indolentemente, numa série de formosos outeiros e encostas de suave declive, uma aldeia.

A vista das casas disseminadas, como que em monticulos, por entre o verde das arvores e dos pinheiraes numa extensão de mais de quatro kilometros, suggere-nos a ideia de que Deus as atirara para cima da verdura d'aquellas collinas, como o lavrador atira a mão-cheia da semeadura á terra fecundante.

Mirando com galhardia do alto dos seus outeiros os logares que lhe ficam proximos, ella parece sorrir-se com aquelle sorriso de superioridade que uma mulher, conscia da sua formosura, lança áquellas que não receberam da natureza os dons com que ella foi dotada.

Bafejada pela amenidade do clima e pela limpidez e doçura de um ar diaphano, as suas melênas são brandamente agitadas pelo sopro suave duma{20} aragem fagueira, e a fimbria do seu vestido, d'um verde puro da vegetação do campo, é banhada pelas aguas transparentes do meigo e terno Vouga.

Eis, em simples bosquejo, o que é essa aldeia que se chama Alquerubim.