O curto dialogo foi interrompido pelo ruido do passo cadenciado do tio Alameda.

Elle appareceu, a physionomia contristada, o olhar velado por uma profunda angustia que lhe opprimia a alma.

—Pae? chamou Helena. O jantar está prompto.

—E o João onde está?

—Está no alpendre. Vae chamal-o, Paulo.

Durante o jantar, o tio Alameda esforçou-se por conservar uma expressão de contentamento; pela sua parte, João parecia nunca ter estado tão alegre. Depois da refeição, o pae chamou-o a occultas da familia, e disse-lhe:

—Meu filho: tenho um pedido a fazer-te. E é de tamanha importancia o que te quero pedir, que a tua desobediencia abreviaria os poucos dias de vida que me restam.

Fallava com uma tão pronunciada amargura,{78} que João, prevendo o fim que elle queria attingir, e commovido mais pelas más impressões que seu pae teria colhido de quaesquer mexericos que lhe houvessem trazido (porque não lhe escapára a vinda da beata) do que pelas palavras do pae, respondeu, resoluto como o homem que espera o golpe que lhe vão vibrar:

—Sabe, meu pae, quanto o amo; e sabe tambem que tenho sido sempre um cumpridor fiel dos deveres de um filho para com seu pae, em tudo obediente...

—Sei tudo isso, meu filho; e sei tambem que o erro que praticas é na tua bôa fé.