—Pode acreditar. Por Deus lhe juro que o amo.{105} Mas peço-lhe que falle mais baixo, porque Deus me livre que alguem ouvisse!
—Não tinha duvida! Que me importa o mundo? Helena hade ser a minha mulher, em breve o mundo o verá! Sim! Nesse caso, que importa que nos vissem?
—Falle mais baixo, senhor. Pode vir meu irmão, e pensar... Deus nos livre que elle viesse dar comnosco a estas horas a fallar!
—Sim. Tem razão. Podia formar máus juizos e seria perigoso.—E, baixando a voz e approximando do rosto d'ella o seu, murmurava-lhe palavras ternas ao ouvido, que ella ouvia como num cicio dulcissimo.—Helena, meu amôr! Dizes que me amas! Isso dar-me-ia tanta felicidade, que o julgo quasi impossivel! Se eu fosse pobre, talvez acreditasse no que dizes. Ahi está para que serve o dinheiro! Para nos lançar o coração no desespero! Helena! Juras que me amas?
—Juro!...
A sua voz era trémula; e elle, tendo-lhe lançado um braço á roda do pescoço, com os labios collocados ao ouvido d'ella, murmurava-lhe com meiguice:
—E juras amar-me sempre?
—Sempre!...
—E muito? Tanto como eu a ti?
—Sim! respondia ella com a voz apagada, completamente dominada por aquelle braço que lhe paralisava as forças d'animo e as physicas.