Para poder dormir, para poder ceiar,
Que hade a gente fazer? vamos ao lupanar,
Não ha outro remedio.
Alli tens, meu amigo, os conegos vermelhos:
Que rostos joviaes, brunidos como espelhos,
Que riso debochado e gesto vinolento!
E á noite, a esta hora, uns padres sem batinas
Do certo não virão pregar ás concubinas
O 6.º mandamento!
Os teus guardas fieis depois da procissão,
Já roucos de cantar um velho cantochão,
Deixaram-te no templo abandonado e só.
Uns vieram beijar as carnes prostituídas,
E os outros foram lêr no quarto, ás escondidas,
Romances de Bollot.
E como a noite é linda! a branca lua passa,
Ostentando na fronte a pallidez devassa
D'uma infeliz mulher.
Quando tudo fermenta e tudo anda de rastros
Já não deve admirar que a siphilis chegue aos astros
E precisem tambem xarope de Gibert!
Meu Pae, vamos ceiar. É quasi madrugada;
É a hora do tom, a hora consagrada
Para os ricos festins á viva luz do gaz.
É a hora da morte, a hora do atahude,
E a mesma em que repoisa a candida virtude
Nos braços de Faublas.