E a moral?

OPIPARUS:

Rica farça a moral! Não me ilude.
Examinem qualquer vendedor de virtude,
Casto como um carvão, magro como um asceta:
A abstinência é impotência, o jejum é dieta.
O diabo, meu Senhor, já vélho e desdentado,
Sifilítico, a abanar como um gato pingado,
O trazeiro sarnoso, em gangrena a medula,
Exaurido a chupões de luxúria e de gula,
Sentindo-se perdido e rabiando, afinal
Quis vingar-se do mundo… e inventou a moral!

O REI, pensando:

E, se eu ós pontapés desancasse esta corja,
Ia às malvas… adeus! tinha banzé na forja!…

Fundeou na praia uma galera de corsários. Desembarcam.

O DOIDO, na escuridão:

A lua morta bóia nas nuvens toda amarela…
Corvos marinhos, corvos daninhos poisam sôbre ela…

Tiram-lhe os olhos, comem-lhe a bôca, já com grangrena…
Astros errantes, agonizantes, choram de pena…

Choram de pena, tremem de mágoa, morrem de dôr…
Na noite escura canta a Loucura, grita o Pavor…