Lôbas tinhosas d'olhos d'enxofre saltam valados…
Pobres dos gados!… pobres dos gados pelos montados!…
O REI:
Olha o doido!… Lá torna o doido… Eu logo vi…
Canta p'raí até 'stoirar… canta p'raí!…
Bom telhudo! em pelote e com êste nordeste,
A ladrar cantochões à lua!… Que lhe preste!
CIGANUS:
Deixe lá! faz-lhe bem… faz-lhe bem… P'rá mania
Não há nada melhor do que o vento e água fria.
Rebenta, fora, um grande tumulto. O rei e os validos assomam-se ao balcão. Vem debandando, clamorosa, a revolta vencida. Soldados, prisioneiros, feridos, moribundos em macas. Ais de estertor, pragas, vivas avinhados, gritos de mulheres, choros de crianças. Os cães, truculentos, ululam na varanda.
O REI:
Que é isto?!… que estardalhaço!… que chinfrineira!…
Gritarias… um rodilhão… Temos asneira…
Temos coisa… não há que ver, temo-la armada…
CIGANUS, rindo:
É a guarda d'El-Rei, de volta da caçada.
Os monteiros são bons… a matilha é valente…