«Li numa estrêla d'oiro a vária sina
Que a esforçadas, magnânimas empresas
E a feitos não obrados te destina.

Mas que valem altíssimas grandezas,
Mas que valem as pompas e as vitórias,
Se a mundano desejo andarem presas?!

Só da fé, só do bem quedam memórias;
Tudo o mais é poeira, um vão ruído,
Uns tumultos de sombras ilusórias…

Cavaleiroso coração ardido
A grande termo levará seus feitos,
Quando ponha em Jesus alma e sentido.

Melhor que duro arnez, defendem peitos
Virtude adamantina e graça clara,
Com que Deus abroquela os seus eleitos.

Sê casto como a luz beijando a seara,
Firme qual entre as ondas o rochedo,
Manso como ovelhinha em pedra d'ara.

E, como o sol d'Abril veste o arvoredo,
D'armas resplandecentes vestirás
O teu corpo d'herói, viçoso e ledo.

Só pela Pátria e Deus batalharás.
De tua larga mão caiam na terra,
Num gesto grande a beatitude e a paz.

Seja neve dos píncaros da serra
Teu limpo coração, bondoso e humano,
Quer na tranqùilidade, quer na guerra.

A tirania ao fim pune o tirano.
Contra o injusto volta-se a injustiça,
E a maldade é aos maus que faz o dano.