Arreda para longe ódio e cubiça;
Contra fero inimigo um bravo alento,
Contra amargura e dor alma submissa.
Viva dentro da carne o pensamento,
Na pureza da virgem confinada
Dentro da cela branca dum convento.
E a carne exultará transfigurada,
Qual a nuvem escura em céu ligeiro,
Em lhe batendo a luz da madrugada.
De tal guisa, vencendo-te primeiro,
A todos vencerás como um leão,
Formidável e nobre cavaleiro.
E de Cristo e da Pátria em defensão
Brilhará tua lança como um raio,
Mandará tua voz como um trovão!»
Assim falou (se me abalou julgai-o!)
A graciosa visão, que se desfez
Pouco a pouco em suavíssimo desmaio.
Donzel eu era já, quando outra vez
As mesmas falas ela, de improviso,
Me repete co'a mesma candidez.
Todo cheio de lágrimas e riso,
Num enlevo quedei, numa ansiedade,
Mais que da terra já, do paraíso.
E à celeste, benéfica deidade
Jurei suas razões maravilhosas
Puramente cumprir e de vontade.
Jurei que nunca minhas mãos culposas
Mulher manceba haviam de tocar,
Feita que fôra de luar e rosas.