E eu lá daquela altura que amedronta,
Sem poder abalar, correr asinha,
Vingar com mão sanhosa a dura afronta!
Em vão, oh, dôr cruel! oh, dôr mesquinha!
Alevantava súplicas piedosas,
À dos anjos tristíssima Raínha!
Ela vertia lágrimas fermosas…
E nasciam estrêlas como flores,
Canteiros de boninas e de rosas…
Porêm, Deus era surdo a meus clamores!
Mais pesavam meus crimes na balança,
Que os teus olhos de luz, ó Mãe das Dores!
Tal um peito rasgado duma lança,
Que em torvação eterna agonizara,
Sem alívio, sem morte e sem esp'rança!
Ó filha! ó anjo pulcro! ó alva clara!
Antes em leda e tenra meninice
Uma víbora má te envenenara!
Antes bôca de monstro te engulisse,
E daquele êrro o fruto miserando
Teu ventre criador nunca o parisse!
Vozes tais eu gemia, senão quando
Oiço como o ruir d'[~u]a montanha,
Como um trovão de súbito estoirando!
Deus arrasara a nobre flor da Espanha!
Nem a Virgem do Carmo em seu mosteiro
O defendeu de cólera tamanha!
Virgem do Carmo! vê-la num braseiro,
Misturada com pedras e destroços,
Vê-la eu! seu algoz, e seu còveiro!!…