Ó anjos da poesia, ó candidas beldades,
De tranças luminosas, loiras como o trigo,
Que me acenáis ao longe, ao fundo das edades,
Cantando heroicamente as velhas potestades
Na cítara de Homéro—o olímpico mendigo...

Eu canto o sofrimento, e as crenças, e as saudades,
Ó líricas beldades ideáis, sêde comígo...

III

JORNADA TRÁGICA

A vida é uma colina
Cheia de escuras e fragosas sendas,
E emergindo da tépida neblina
Das ilusões, dos sonhos e das lendas...

Vinde comigo, ó férvidos amantes
Da Verdade, da Paz, do Bem, da Gloria...
Vamos subi-la,—heroicos viandantes,
De olhos fitos nas páginas da Historia...

Ó pálidos poetas desgrenhados,
Que andáis, á luz do luar,
A percorrer atalhos ignorados,
Esfarrapando sônhos, a cantar...

Eu quero vos mostrar serenamente,
Como um ascéta antigo, solitario,
A perspetíva ingente
Da vida—este Calvario...

IV

OS MISERAVEIS