Desmaia ao longe o sol...—Que tardes estas
De maguas tão profundas!
Andam no ar exalações funestas
Das rosas moribundas...
Coas chuvas engrossaram as ribeiras.
Lá passam a gemer,
Levando os esquelêtos das roseiras,
Que acabam de morrer...
Erguem-se ao ar as ramas desnudadas
Das arvores agrestes;
E as aves vão piar desconsoladas
Á sombra dos ciprestes...
Os ciprestes!—Só êles com o inverno
Não perdem o vigôr...
Bem mostram que no mundo é sempiterno
O sofrimento,—a Dôr!
A tosse (ei-lo a tossir!) rasga-lhe o peito
Em bruscas convulsões,
Arrancando-lhe o sangue já desfeito
Dos putridos pulmões!
A infancia, a mocidade...—esperanças mortas...
Como isso já lá vái!
Assim expiram ilusões absortas
No hálito dum ái!...
Pobre tísico!—Os olhos encovados,
Dorídos de sofrer,
Fitam as coisas, brandos, resignados,
Dispostos a morrer...
X
ORFÃOSINHOS
Crianças—olhái-as—perto,
Desmaiaditas a rir...
Nos olhos um ceu aberto,
Nos labios rosas a abrir...