Não têm mãe, não teem lume.
Sua lareira é o caminho,
—Como ninhadita implume,
Morta a mãe longe do ninho.

Crianças que não tem lar
Onde o carinho reluz
Nunca aprenderão a amar,
—São como as rosas sem luz...

Oiço dizer que as crianças
(Anjos de olhar manso e puro...)
São chilreantes esp'ranças
Dum deslumbrante futuro...

Mas estas, que a rua cria,
Magrizélas, definhadas,
—Quem me assegura que um dia
Não hão-de ser desgraçadas?

Crianças órfans, sem mãe,
Já nascem com sua cruz,
Como nasceu em Belem
O Deus Menino, Jesus...

—«São rosas a abrir mimosas
As criancinhas...»—Pois sim!
Só se nós chamarmos rosas
Ás florinhas do alecrim...

XI

NOIVOS

Alem cismam dois noivos,
Fitando ao longe a curva azul do céu
Cuns olhos muito tristes, como goivos
Á flôr duma ilusão que já morreu...

Quem pode advinhar
As coisas em que cismam, que misterio?
—Pensam na nostalgia do luar,
Beijocando os rosáis do cemiterio...