NOIVA MORTA...
Num sônho angustioso, eu vi passar por entre as oliveiras desoladas um caixão branco, com muitas fitas rôxas...
Era ao sol-posto. Pelo ceu, uns farrapitos de nuvens, roxeádas pelo sol agonisante, pareciam goivos sepulcráis a desfolharem-se amarguradamente, desconsoladamente...
Atraz do caixão carpiam-se muitas virgens, vestidas de luto, olhos ardidos pelas lagrimas...
E eu disse para as virgens:
Ó virgens, quem é aquela
Que levam prá sepultura?
Virgens, virgens! Quem é ela,
Tão nova e tão sem-ventura?!
E as virgens, desgrenhadas, lacrimosamente responderam-me:
É a linda morgadinha,
Que levam a enterrar...
Morreu ontem, á noitinha,
Ao despontar do luar...
Era a mais rica e mais bela,
Mais enleváda de amor;
E morrêu... Que sorte a déla!
Não faz idéa, senhor...
De que valeu ser tão cheia
De inteligencia e belêza?!
Chora tudo lá na aldeia:
Que tristêza! Que tristêza...