Cismava nos áureos planos
Do seu proximo noivádo:
E fêz só dezoito ânos
Pelo setembro passado...
Mais infeliz nunca vi!
Em vez de noivar, morreu...
O bom Deus quí-la pra Si:
Levou-a da terra ao Céu.
Ela era o anjo da graça,
Sempre a sorrir e a cantar...
Tudo passa! tudo passa...
Morreu!—Deixái-nos chorar.
Em noites de escamisádas,
Que se faziam pla aldeia,
Soltava canções airádas,
Ao clarão da lua cheia...
Tardes mornas de novênas,
Quando íamos enflorádas,
Como irisádas falênas,
Como rôlas desvairádas...
Ela era a flôr da alegria,
Bôca rubra, olhar de luz...
Roubou-a a morte sombría!
Roubou-a... Jesus! Jesus!
Chorái, ó brancas falênas;
Chorái, brisas murmurosas;
Chorái, ó rôlas serênas;
Chorái, relvas; chorái rosas...
De que nos vale a belêza,
Que a Morte pode roubar?!
Ai!—que vida, que tristêza.
É só penar, só penar!
E eu, muito comovido, muito triste, disse ás virgens, com lágrimas na vóz:
Tendes razão, raparigas...
Que valem sonhos, encantos,
Loucas ilusões antigas?...