Tudo se desfáz em prantos!

Aquela tenra floríta,
Desfolhada pela morte...
—Não lhe choreis a desdita.
Não pranteêis sua sorte...

Pois, donzelas, quem nos diz
A nós—corações airádos,
Que ela não foi a feliz,
E nós os desventurados?...

Pois, afinal, esta vida,
Mesmo á luz ideal do amôr,
Sempre incerta e combalída,
—O que é ela, senão dôr?!

Uma tristêza mortal
Repassa as nossas folganças...
Ai! cachópas, ai! crianças,
Nem é bom falar em tal...

Quando ides prás romarias,
Entre murtas e alamêdas,
Como doidas cotovías,
Chilreando airádas, lêdas,

Não pensáis nesta agonía,
Que nos punge o coração...
—Levais a alma irradía,
Céguínha pla ilusão...

Mas á noite, junto ao leito,
Cismáis, á luz do luar,
Em tanto sonho desfeito...

E desatáis a chorar!

A vida é uma dôr infinda!
Por isso eu vos digo a vós
Que essa defunta tão linda
Foi mais feliz do que nós...