A 22 de Março rompe uma revolução em Ouro-Preto na Provincia de Minas Geraes. O Vice-Presidente vê-se obrigado a retirar-se para S. João d'El-Rei. O Marechal José Maria Pinto Peixoto, enviado da côrte apenas com 4 Officiaes, chega a Minas; e á frente da Guarda Nacional faz dentro em pouco entrar tudo na ordem.--A 16 de Abril tem lugar na capital do Pará horrivel matança.--Neste anno as sessões da Assembléa Geral Legislativa estiverão grandemente agitadas pela discussão de 2 importantes projectos, o das Reformas Constitucionaes, e do banimento do Ex-Imperador.--Tem lugar no Rio de Janeiro algumas desordens, que apenas limitarão-se a quebrar typographias, vidraças de casas de algumas pessoas consideraveis, a illuminação da Sociedade Militar, &c.--No dia 15 de Dezembro é cercado o Paço da Boa Vista, e preso por ordem do Governo o Tutor dos Imperiaes Pupillos--José Bonifacio de Andrada.
1834.
No Cuiabá tem lugar horrivel mortandade e anarchia desde 30 de Maio até 5 de Julho.--Cahe no Senado o projecto de banimento do Ex-Imperador, que já havia passado na Camara dos Deputados.--Apparece a Lei das Reformas Constitucionaes (12 de Agosto), chamada Acto Addicional; pela qual se extinguirão os Conselhos Geraes de Provincia, creando-se em seu lugar as Assembléas Legislativas Provinciaes com muito mais amplas attribuições; bem como se extinguio o Conselho d'Estado.--A 24 de Setembro morre em Portugal o Ex-Imperador; e com sua morte desapparece no Brazil o partido Caramurú, pois que este só tinha em vista chamar de novo D. Pedro ao Brazil afim de pôr termo ao estado critico do Imperio.--Hum Decreto concede amnistia geral a todos os compromettidos na revolução do Ouro-Preto e outros pontos.--E a L. 3 de Outubro dá o Regimento dos Presidentes de Provincia.
1835.
O Pará, depois da matança de 16 de Abril de 1833, é flagellado perto de 4 annos por scenas iguaes a essa. No dia 7 de Janeiro do presente anno de 35 forão ahi assassinados o Presidente Lobo de Souza, o Commandante das Armas Major Santiago, e o Commandante da Estação Naval. Os revoltosos nomeião Presidente o Tenente Coronel de Milicias Felix Antonio Clemente Malcher, e Commandante das Armas hum traficante de nome Francisco Pedro Vinagre; porêm Malcher é assassinado, e Vinagre fica com todo o mando civil e militar. Tendo chegado ao Pará o Marechal Manoel Jorge Rodrigues, finge Vinagre obedecer entregando o governo; mas achando-se mais forte, revolta-se e obriga o Marechal a abandonar a capital.--A 7 de Abril procede-se em todo o Imperio á eleição de hum só Regente na fórma do Acto Addicional: e, tendo sido eleito o Padre Diogo Antonio Feijó, presta elle juramento no dia 12 de Outubro.--A 20 de Setembro rompe no Rio Grande do Sul huma desastrosa e terrivel revolução. O Presidente Antonio Rodrigues Fernandes Braga vê-se obrigado a abandonar Porto Alegre e fugir para a villa do Rio Grande.--O chefe da revolta Bento Gonçalves da Silva publica o seu manifesto (25 de Setembro) expondo os motivos do seu procedimento. O Presidente não podendo conservar-se, retira-se para a côrte; e é substituido por José de Araujo Ribeiro, que consegue chamar a si um dos chefes revoltosos o Coronel Bento Manoel Ribeiro, e fazer entrar na ordem Porto Alegre.--No Norte do Imperio termina em Novembro deste anno a formidavel guerra dos Cabanos, mais pelos meios espirituaes empregados pelo Bispo de Pernambuco D. João da Purificação Marques Perdigão, do que pelos exforços do Major Joaquim José Luiz.
1836.
A 6 de Abril soffrem os legalistas no Sul huma derrota junto a Pelotas, sendo morto o Coronel Albano e ficando prisioneiros dos rebeldes o Major Marques e outros. Porêm este revez é grandemente compensado pela victoria de Fanfa (Outubro) em que é prisioneiro o intitulado Presidente da Republica de Piratinim Bento Gonçalves; o qual é remettido para a côrte, donde o enviarão para uma fortaleza na Bahia.--Para o Pará é nomeado Presidente e Commandante das Armas o Brigadeiro Soares de Andréa; o qual, depois de fazer occupar a capital por tropas ajudadas pela Divisão Naval ao mando de Frederico Mariath, entra e toma posse (13 de Maio); bate em varios encontros os revoltosos, fazendo prisioneiros Vinagre e outros chefes.--O Regente, depois de demittir e nomear por duas vezes Presidente do Rio Grande do Sul José de Araujo Ribeiro, fal-o substituir pelo Brigadeiro Antero José Ferreira de Brito, continuando porêm no Commando das Armas o Coronel Bento Manoel.
1837.
A conducta impolitica do novo Presidente excita desconfianças em Bento Manoel, que o prende a 23 de Março no Passo do Tapevy; em consequencia do que abandona o partido legalista, e abraça a causa que combatia. Este desastre torna summamente precaria no Sul a posição de nossas armas e a causa da legalidade; pelo contrario os rebeldes adquirem com isto tamanha força, que tomão Cassapava (8 de Abril), e ahi batem o Coronel João Chrisostomo e toda a gente ao seu commando. Outro acontecimento veio ainda empeiorar a nossa condição nesta Provincia: Bento Gonçalves, que se achava preso na Bahia, consegue evadir-se (10 de Setembro), e vai reunir-se aos seus, dando-lhes com sua presença maior energia e força. O Governo, sabendo de todos estes factos, nomeia Presidente o cidadão Feliciano Nunes Pires, o qual nada consegue dos rebeldes por ser homem de poucas relações na Provincia, e de nenhum prestigio. Com tudo a legalidade se sustenta pelos exforços da Guarda Nacional e de alguns Officiaes.--No Rio de Janeiro o Regente não podendo conservar por mais tempo o poder, por lhe faltar apoio nas Camaras e haver huma forte opposição, nomeia Ministro do Imperio o Senador Pedro de Araujo Lima (hoje Visconde de Olinda), e no dia 19 de Setembro entrega-lhe a Regencia.--Em quanto isto se passava no Sul do Imperio, he o Pará completamente pacificado da revolução de Vinagre pelos exforços inauditos do Brigadeiro Andréa.--Pelo contrario na Bahia rebenta (7 de Novembro) huma revolução, que, acobertada a principio com o nome de S. M. I., ao depois deu bem a conhecer quaes erão seus fins ultimos; a qual viria a ser terrivel, si não fôra logo reprimida. Seu chefe era hum individuo de nome Sabino.--O Decreto de 2 de Dezembro cria no Rio de Janeiro hum Collegio de Bellas-Letras denominado de Pedro II.