Primeiro, atravessou solidões conhecidas, em que a fauna permanecia tranquila; depois, vagos indícios que poderiam sugerir receios. Por fim, avistou montões de pedras, que designavam túmulos; e, decorrida uma hora, o clarão de uma fogueira denunciou-lhe a vigília dos inimigos.[{85}]
Vamiré quedou-se observando, por muito tempo. Élem deveria estar deitada defronte do brasido. Fazia sentinela um guerreiro, que, de quando em quando, para não adormecer, erguia para o céu uma das mãos. A fogueira projectava este movimento numa sombra enorme para além do rio.
O Pzann apertava o seu arpão, calculava a eventualidade de um ataque, impelindo-o para a temeridade a sua febre e a sua fraqueza.
O rumor dos bosques crescia com o roçar da viração. A água iluminava-se de uma fosforescência pálida, de um fundo de halo, em que viviam ramagens longínquas, calhetas povoadas de caniços. O trabalho das nuvens alterava a cada momento a superfície das águas, lançando sobre elas um véu plúmbeo, uma luzinha trémula, ou um arroio de constelações.
Um drama conturbou a alma de Vamiré. Atrás do brasido, com os olhos fixos na fogueira, deixou-se ver Élem.
Ah! tornar a possui-la, levá-la consigo, como noutro tempo! Mas, com o esforço interior, reconheceu mal fechada a sua ferida, impotente o seu braço!
Contudo, alguns dias mais, e ele teria readquirido todas as suas energias. No entretanto, seguiria a pista, e escolheria a sua hora.
Depôs vagarosamente o arpão, empunhou o remo, e, antes de voltar à sua última paragem, deixou-se levar pela corrente à margem oposta. Dali, remou com prudência, lentamente ao princípio, e depois com progressiva velocidade.[{86}]
Decorrida uma hora, a barca vogava com dificuldade, se bem que Vamiré seguisse a ribanceira. Afora o impulso da corrente, tinha de lutar com as algas, em que se embaraçava a proa e que lhe sobrecarregavam o remo.
Estava quase resolvido a saltar para terra, quando o animou uma espécie de canal entre os caniços.