—Não marcheis para a morte... Ele não compreendeu as minhas palavras, e os vossos gritos assustaram-no!
A fogueira recebeu novo combustível; e, enquanto ela se ateava clara, os orientais tornaram a deitar-se, desgostosos daquela cena, em que a ingenuidade de se julgarem compreendidos inutilizava a prudência do chefe.[{113}]
[XV
Reforços]
A alvorada difundia-se por cima da floresta, e o velho permanecia ainda indeciso. Além de tudo, era impossível lutar com segurança contra o homem fulvo; a sua força, consideravelmente superior, dificultaria um combate franco; e a sua prudência inutilizaria qualquer cilada. Pedir auxilio a tribos, que demoravam longe, a algumas semanas de caminho, impossível. Reconhecer primeiro o território inimigo, e levar lá depois um exército? Mas não surgiriam obstáculos invencíveis? E a floresta teria limites?
As orações e os ritos cantavam-lhe longamente na alma. O seu olhar buscou a chave do enigma nos pálidos lampejos das achas, nos arabescos da ramaria. Mas não disse uma palavra: a sabedoria das tribos exige que o chefe prudente opere, sem fazer hesitar a caprichosa inexperiência da gente moça.
Tomou as suas armas; estudou a direcção da sombra; observou o voar de certas aves, e levou consigo os companheiros.[{114}]
Todos reconheceram, logo, que marchavam para o Sul. Desse lado, estendiam-se, até o sopé de altas colinas, grandes planícies estéreis, a que se aventuravam raros exploradores; era o território dos cães. Um pouco mais para o Levante, com seis paradas de um dia, poderiam chegar às tribos amigas.
Os moços admiravam-se, mas nada diziam.
Decorreu o dia, interrompido de breves paragens, e manteve-se a orientação até à noite.
A noitada foi áspera. Uma chuva torrencial caiu sobre a floresta, quatro horas antes de amanhecer. Apagou-se o lume, e os corpos tiritavam encharcados.