Não se ouviu mais uma palavra de paz. Parecia que de ambos os lados se faziam preparativos para uma luta próxima.
Vamiré trabalhava e velava.
De uma vez, pareceu-lhe avistar um oriental que, a pouca distância da água, se erguia, desaparecendo depois no mato. De outra vez, um bando de cães veio beber ao rio; mas nada anunciava uma investida. Julgou[{152}] portanto que o chefe oriental aguardaria a manhã, e recomeçaria as negociações.
Acabava de depor a seu lado a décima segunda frecha, untada de veneno, quando notou um rápido movimento e o formigar de muitos vultos na margem.
—Eô! Eô!—gritou ele, enquanto os tardígrados arrancavam do sono os companheiros.
Lá adiante, impetuosos, os cães mergulhavam e nadavam, aos milhares, de olhos fosforescentes em suas cabeças húmidas e luzidias, fazendo, com a sua imersão, erguer o nível das águas nas costas da ilhota. Silenciosos e terríveis, nadavam intrepidamente, sob a saraivada de pedras, ossos e achas, com que eram acolhidos.
Vamiré, verificando que entre eles não havia nenhum homem, depôs o arco e empunhou a clava.
Élem, armada de uma lança, poderia defender o seu abrigo.
Os tardígrados, animados pelo Pzann, mostravam-se enérgicos, postados em pequenos grupos, de costas para o centro, com espaço livre para manejarem os seus bastões.
Antes que tocassem terra, os cães foram atacados tão vigorosamente, que recuaram para fora de alcance. Mas de pronto se dividiram em duas fortes colunas, uma das quais singrou para o ponto mal fortificado da ilha, defendido por Vamiré, enquanto a outra retomava directamente a ofensiva.