Mas o grande nómada do Ocidente levava-lhe já o auxílio do seu braço, e a sua clava abria caminho por entre crânios e espinhaços despedaçados. De todos os lados, o animal, inquieto, aterrorizado, reconhecia naquela voz e naquela força a força e a voz das raças vitoriosas, por forma que os tardígrados retomavam coragem, e os cães, repelidos para a água, voltavam ao campo dos asiáticos.

Uma ebriedade de vitória inflamava os olhos dos comedores de vermes. Voltando-se para o homem loiro, cantaram a melopeia do triunfo, a que Vamiré correspondeu com um belicoso clamor.

Na outra margem, à beira das florestas seculares, resoava o latir furioso dos cães e as maldições dos homens do Oriente.

Decorreu a noite naquele tumultuar terrível, repercutido pelos ecos, e em que os dois bandos inimigos exaltavam o seu valor não vencido e prenuncio de novos combates.

Os tardígrados trataram acuradamente dos seus feridos, e, para maior segurança, foram colocá-los perto[{155}] do sitio, em que Vamiré acampava com Élem. Dos cães, postos fora de combate, desembaraçaram-se os tardígrados, lançando-os à água, em que alguns acabavam de morrer, ao passo que outros, ao grado da corrente, chegavam à outra margem.

Vamiré fora ter com a sua companheira. Cheia ainda do desgosto que lhe causavam os comedores de vermes, Élem permanecera no seu abrigo, sem necessidade de se defender.

Vamiré falava-lhe da vitória, do número das vitimas, da ferocidade dos assaltantes, da probabilidade de novos recontros; e ela escutava-o, pensativa e triste por aquele incidente, fazendo votos pelo advento de uma paz imediata.

Manifestava a esperança de que as negociações se retomariam de madrugada, e o nómada aprovava, mas esquivava-se a quaisquer concessões, relativamente aos tardígrados.

Fatigada, Élem adormeceu por fim. A maior parte dos vermívoros também dormia. Vamiré velava sempre.[{156}][{157}]

[XXI
A derrota]