Foi decorrendo a noite. A ronda dos astros atravessava as calmas profundezas do rio; uivavam cães feridos; as fogueiras dos orientais ardiam por trás das ramadas, iluminando os braços negros e contorcidos do arvoredo e as densas e flexíveis cumeeiras da floresta.

Vamiré aproximou-se do rio, e ali se quedou alguns instantes, como para dar ensejo a palavras de conciliação. Mas teve de se furtar a uma frecha que vibrou.

Vibraram outras frechas, que, descrevendo vigorosas parábolas, iam quase todas cair inofensivas no meio da ilhota.

O Pzann guardou-as, satisfeito de ver que se iam esgotando as munições contrarias; mas os orientais, compreendendo logo a inutilidade daquele tiroteio, suspenderam-no, e, com gritos e açulamentos, fizeram reaparecer os cães, formigando na margem e latindo furiosamente.

Um vago perfil humano se desenhou entre os cães,[{158}] acocorando-se logo; outro perfil apareceu na ribanceira, em observação; e depois uma voz humana, irrompendo do rio, denunciou um nadador.

E daqui concluiu Vamiré que, desta feita, os asiáticos acompanhariam a expedição.

Em tais condições, o assalto era grave.

Sem perda de tempo, despertou toda a sua gente. Armou com arpões de pontas fixas e de zagaias seis velhos mais sagazes, anexou, para seu uso, uma lança à sua clava, e pôs-se de atalaia em bom lugar.

Os cães acabavam de se atirar à água. Seguidamente, a presença do homem revelou-se em nova táctica: formaram-se três colunas; uma seguiu para a frente; outra para o pontal, onde estava Élem; e a terceira, deixando-se ir ao grado da corrente, rodeou a ilha, para a assaltar por trás.

Então Vamiré, para concentrar a defesa, fez evacuar o pontal oposto àquele em que se achava, e fez guarnecer o outro lado da ilhota, organizando tudo de forma, que toda a gente se agrupasse com ele, sendo necessário.