—Desligue ele pois as tuas mãos, porque é justo que fales dessas coisas como homem livre.—

O oriental transmitiu a Vamiré o desejo do velho.

O Pzann hesitou, por um instante, com o receio de uma traição. Depois, sem dizer uma palavra, desatou os laços.

O cativo não se mexeu, limitando-se gravemente a erguer os braços acima da cabeça.[{172}][{173}]

[XXIII
Regresso]

Pelas gargantas das ilhotas e à sombra de árvores, por extensos e alumiados canais, a barca ia singrando contra a corrente, que as chuvadas entumeciam. E, enquanto Élem e o saguim brincavam ou dormiam na barca, Vamiré remava sempre.

Firmara-se a paz com os orientais. Os cães tinham regressado às áridas savanas da beira das florestas; e o misero tardígrado terminara o seu êxodo para o Grande Lago.

Os asiáticos abriram as veias dos braços, e o seu sangue mesclou-se com o de Vamiré. Em nome das sagradas tribos, o velho enjeitou todas as ideias de guerra, e Vamiré falou de paz, em nome dos grandes nómadas ocidentais.[{174}]

Na primavera do ano seguinte, na terceira lua depois do equinócio, os Pzanns enviarão trinta caçadores, escolhidos entre os mais intrépidos, tendo a Vamiré por chefe, e aqueles homens virão buscar outros tantos aliados, dirigidos pelo prudente velho.

Quer o vento encrespasse as águas, quer as crivasse a chuva, cobrindo-as de pequenas bolhas saltitantes, a canoa vogava sempre para o Norte, desde a alvorada ao lusco-fusco. O bramir dos cervos, o barrir do mamute, o rugir dos leões, saudavam a passagem da frágil barca e o homem adversário. E ela vogava, vogava, pelas gargantas das ilhotas, à sombra das árvores, e pelos grandes canais alumiados.