És qual flôr que n'um vergel divino, com garbo ostenta purpurina côr; és um anjo que baixou á terra; és qual estrella, que, na noite escura, raiou formosa de brilhante luz; és como um astro que nos céos reside... Fanal de esperanças, no qual contemplo... visão, miragem... ideal sem par!{11}
O que ouço, mudo e triste, n'esse languido olhar... revelará, pelo menos, amizade?
Bella como a flôr da serrania, radiosa como a estrella matutina. Teu riso alenta meu cançado engenho. Não sei se é pasmo ou loucura o que sinto ao divisar-te; tão grande é a expressão que tens na voz, no olhar, no gesto e no sorrir! Ao vêr, de teus olhos, os raios tão ardentes... nascem-me, no peito, frementes anhelos. Um breve sorriso de teus labios... faz-me delirante de amor. Não sei o que sinta n'alma ao vêr tuas faces bellas... é ancia, é febre. Sinto-me preso d'um terno delirio, ouvindo teu fallar sonoro e fagueiro... Era ao sol posto, quando me deste um riso; n'elle colhi um perennal sentir... Quiz fugir-te... senti-me preso a ti. Em troca... offereci-te rosas. Dar uma rosa parece nada ser... porém... com as que te dei... foi juncto o meu pensamento!
Tudo em ti diz poesia e as auras beijam-te a fronte assetinada, pura como a innocencia, pura como os beijos de minha santa mãe.
Nos momentos de angustia, quando no espaço olympico, fluctua a rainha da noite... parece-me vêr n'ella a tua imagem seductora e sóbe-me á cabeça a idéa de apertar-te fervorosamente em meus braços... porém... de repente desfaz-se o encanto e volta de novo o pranto a deslisar pelas minhas faces.
Ah! se o que sentimos n'alma só nos pertence; se a doirada calma dos mesmos risos ambos nós sonhar-mos; se é a mesma a nossa estrella, o nosso norte... então... aberto é o céu... amemo-nos!{12}
Foste a palmeira frondosa a cuja sombra cahi; foste a fonte serena onde minha alma exhaurida cobrou alguma esperança.
Ah! porque tarde me brilhaste, estrella mimosa e bella, que ante mim surgiste? Teu senhoril futuro, o teu porvir é de gloria e risos; os meus sorrisos são gemidos! Soffro martyrios sem que jámais ouse testemunhar a alguem... o meu pezar. Um desalento horrivel me aniquilla a vida; busco suffocar os meus ais no peito... oh!... bem forçado é o meu rir d'agora. Cedo me luziu, no raiar da vida, a luz do meu céu d'amores... Lamento agora a illusão! Oh! sonho meu desfeito! Oh! mocidade.... Ha quem te exalte as doçuras e te compare á madrugada! Tens encantos que seduzem, bellos sonhos, graça, amor... mas tudo passa tão breve!... é, quando nasce o sol e vens enfeitada como abril, é... então que os sorrisos mais nos fogem... És uma cadeia de dôres!